Aos cinquenta anos, cinquenta poemas, todos inéditos: ideias e coisas, aquilo que se perdeu, aquilo que já não virá, valor e nulidade, finitude e tragicomédia. TURBULÊNCIA Bem-vindo à meia-idade./Por favor, tenha em atenção/que meia-idade é eufemismo,/e a sua média esperança/vai a dois terços, se for saudável./A da vida, digo, a outra/é um mito, como o avião/cair devido à turbulência./A companhia detém informações/que tornam desnecessário dar-lhe/as boas-vindas à turbulência./A tripulação pode garantir,/dentro das expectativas, que esta/aeronave não se vai despenhar./De si não diremos o mesmo.