A presença de rappers brancos em um genero musical genuinamente negro sempre foi motivo de conflitos e melindres, quase sempre mantidos nas entrelinhas e bastidores da cena Rap. Em jogo, acusaçes de apropriaço cultural, inautenticidade, privilegio e racismo. O autor, ativista e pesquisador negro, Jorge Hilton, se aventura no mergulho aprofundado desse territorio expondo e analisando esta tenso racial. E se historicamente os pesquisadores brancos tornavam os negros seus interlocutores nos proprios estudos, o autor inverte essa perspectiva. O livro Branquitude, Musica Rap e Educaço - Compreenda de uma vez o racismo no Brasil a partir da viso de rappers brancos e a segunda obra do autor, a 1 e Bahia com H de Hip-Hop. Com prefacio de Lourenço Cardoso e Lia Vainer Schucman o estudo aborda de modo inovador a viso direta de 17 rappers brancos/as brasileiros/as sobre as relaçes raciais no Brasil e, em especifico, sobre a branquitude. O autor discute como as categorias de classe, genero, estetica e religio se imbricam na identidade artistica e racial e de que maneira a interseccionalidade opera. O livro apresenta uma abordagem conceitual contemporanea, relacionada aos estudos sobre raça-etnia. E para se entender tais marcadores no contexto das relaçes que envolvem os/as 25 artistas analisados em sua totalidade, novos conceitos so construidos como o de padro Racionais , empatia abnegada , branco denegrido . Outros so desdobrados buscando caracterizar e referendar as posturas dos/as rappers numa perspectiva autocritica e educativa. Os artistas que fazem parte do estudo so: Fabio Brazza, Gaspar (Zafrica Brasil), De Leve, Livia Cruz, Rubia (RPW), Janaina Noblat, Lurdez da Luz, DeDeus, Elvis Kazpa, Don Bruno, DOPE69, Fex Bandollero, Jasf (Os Agentes), Kaab, MC Osmar, Preto Du (Simples Rap ortagem), Shark, Gabriel O Pensador, C4bal (anteriormente conhecido como Cabal), Flora Matos, DJ Alpiste, Suave, Filosofia de Rua, Inquerito e Alternativa C. A obra no e sobre lugar de fala dos rappers brancos, mas sim o lugar de reflexo de um pesquisador negro sobre o que essas falas revelam: O que eles e elas pensam sobre relaçes raciais e racismo? A autodeclaraço racial que fazem, condiz com seus olhares de como a sociedade os percebe racialmente? Quais suas vises sobre privilegio branco? Em que medida tais tematicas aparecem em suas obras musicais? Neste processo entra em debate o ser playboy , a resistencia negra, a busca por legitimidade para se cantar Rap. O autor conclui discutindo o papel da educaço racial na mudança de pensamentos e atitudes, educaço pela aboliço do racismo, como processo fomentador da alteridade, sociabilidade e respeito as diferenças.
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